Entre olhos que conversam sem palavras
meu corpo conversa na sua racionalidade
dizendo oque sinto
o que sonho
o que desgosto de ser, de ver
eu só preciso quietar a boca
e olhar dentro do peito as dores que carrego
elas falam de mim
mais que os olhares
que palavras que ao final
terminam sendo vazias
pois os meus sentidos estão ocultados
na respiração que falta
no movimento que trava
no medo de jogar me para enfrentar a vida
nos olhares desviantes
no tremor da perna quando eu sinto que é isto
mesmo assim a coragem surge das profundezas
e me empurra de corpo e alma
vai com medo mas vai com alma
atira-te sobre os silêncios dos outros
e segue quieta teu caminho
não permita pesos nos ombros
ou temor nos pés, caminha
guarda teu sonho secreto no canto do olhar
e flui vitoriosa sobre o que pensas que pensam
porque no final a tua luta consigo mesma
e não há testemunhas nem acusadores
estará no fim dos tempos prestando contas
deste medo que teve na vida
das quantas armas que usou ao se levantar contra ele
luta como uma mulher
veste eu vermelho e ponha fogo no olhar
conclama o raio e o facão
chama os santos espíritos e os orixás para te guiar
canta o ponto das tuas guias e ergue a fronte
pede de oxum a estrategia, de yansã a energia
de yemanjá essa luz que é amor em brisa e tempestade
de obá as artes de guerra e de nanã a sabedoria
Lute mulher, como Joanas, e Marias
até o raiar de outro dia
que a noite não te esmureça
menos ainda a manhã fria
olha teu corpo e teu sorriso são parte milenar de uma historia
vence mulher com a calma de uma rainha
ama mulher como uma deusa ancestral
vive mulher, sabendo que somos parte de uma saga imortal
uma hora de Ora Yê Yê Ô outras de Odoyá Odocyabá
Epahey Oyá, obá xirê, Saluba Nanã,
tem horas que não sou uma , eu com elas e elas comigo
eu olho a frente e não vejo perigo
por que de tantas mães que me zelam nenhuma nunca me deixou só.
Carol Dias