sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Flores a você que já se foi



em memoria de meu Avô Antonio 

Quando eu grito saudade

O eco responde silencio

Maltrato as plantas secas na varanda

Com mais um punhado de sede


Quando eu grito seu nome

Ecoa reticências por toda parte

Desfaço a mesa do jantar

Tomo um copo de café amargo


O vento vem lambendo as minhas pernas

Fazendo eu esquecer das coisas que vim buscar

A frieza açoita os muros congelados da alma

A pausa se alonga e fica embranquecida

Eu, azulando os pensamentos abstraindo a falta de água ( e coração copioso)

Enterro meus pés no silencio

Para que de mim brotem absurdos girassóis

Bromélias arroxeadas

Amarillis de luz neon

Estrelicias de abraços mudos e gardênias

Mais um punhado de sede para todos na mesa

Menos um punhado de vida antes do fim dos tempos


Carol Dias

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