sexta-feira, 14 de agosto de 2020

 


Entre olhos que conversam sem palavras

meu corpo conversa na sua racionalidade

dizendo oque sinto

o que sonho

o que desgosto de ser, de ver

eu só preciso quietar a boca

e olhar dentro do peito as dores que carrego

elas falam de mim

mais que os olhares

que palavras que ao final

terminam sendo vazias

pois os meus sentidos estão ocultados

na respiração que falta

no movimento que trava

no medo de jogar me para enfrentar a vida

nos olhares desviantes

no tremor da perna quando eu sinto que é isto

mesmo assim a coragem surge das profundezas

e me empurra de corpo e alma

vai com medo mas vai com alma

atira-te sobre os silêncios dos outros

e segue quieta teu caminho

não permita pesos nos ombros

ou temor nos pés, caminha

guarda teu sonho secreto no canto do olhar

e flui vitoriosa sobre o que pensas que pensam

porque no final a tua luta consigo mesma

e não há testemunhas nem acusadores

estará no fim dos tempos prestando contas

deste medo que teve na vida

das quantas armas que usou ao se levantar contra ele

luta como uma mulher

veste eu vermelho e ponha fogo no olhar

conclama o raio e o facão

chama os santos espíritos e os orixás para te guiar

canta o ponto das tuas guias e ergue a fronte

pede de oxum a estrategia, de yansã a energia

de yemanjá essa luz que é amor em brisa e tempestade

de obá as artes de guerra e de nanã a sabedoria

Lute mulher, como Joanas, e Marias

até o raiar de outro dia

que a noite não te esmureça

menos ainda a manhã fria

olha teu corpo e teu sorriso são parte milenar de uma historia

vence mulher com a calma de uma rainha

ama mulher como uma deusa ancestral

vive mulher, sabendo que somos parte de uma saga imortal

uma hora de Ora Yê Yê Ô outras de Odoyá Odocyabá

Epahey Oyá, obá xirê, Saluba Nanã,

tem horas que não sou uma , eu com elas e elas comigo

eu olho a frente e não vejo perigo

por que de tantas mães que me zelam nenhuma nunca me deixou só.


Carol Dias


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