Formigas anunciavam a mudança do
tempo
Todas fervilhando inquietas entre
meus cabelos
Nos lençóis da minha cama
O tempo como uma gangorra
Se sacode ao prazer do vento
Indo e vindo espalhando as sementes daquele dia
Toda a cama se estremece
O mundo gira em torno de si mesmo
e eu não descobri ainda
O punhado de expectativas
espectadoras
e as formigas formigando meu ser
Me derrubam da cama
Me condenam ao errante prazer de
errar
Busco a absolvição dos pecados
desejosos
Das ânsias neuróticas madrugais
Das insônias lancinantes de meu ser
Todo mundo se perde
enquanto a espectadora de mim
Desdenha mais uma vez indo deitar

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