A lua do meu céu
Se esgueira entre as nuvens revelando sua nudez
Joga displicente sua luz
por sob as pedras
E sob o leito do
rio
se insinua entre as
folhas do bambuzal
Nem uma gota da cachoeira modifica seu reflexo
No espelho da água dos meus olhos
Do céu seu vestido
se arrasta displicente
Embranquecendo tudo a minha volta
Sou
pedra negra extasiada
Em mergulhar no teu reflexo como se pudesse
Me refletir
também nas altitudes da sua
beleza celeste
Olhar de dentro do rio
a tua beleza refratada
Desejando ser parte
de sua constelação estelar
Do fundo do rio eu no meu sonho
Desejo a nostalgia de tua luz sob mim
Vivo a nostalgia que
as águas escuras cantam
Quando escoem
entre minhas costas pedregosas
Das garças
sonolentas que só fazem esperar
Dos peixes sufocados que esquecem do tempo
Minha homenagem ao céu da minha Itabuna
Minha homenagem ao céu da minha Itabuna
Fotos: Milena Palladino

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