uma virgula fora do lugar
uma pausa mais longa numa frase
sou capaz de derramar oceanos ancestrais de dentro do meu peito
liberar comportas e mais um copa cheio de lagrimas
hoje é o dia do exagero
da gota d'agua
da licença poética
eu vou esmiuçar os sentimentos tintim por tintim
desbaratar o que sinto
e pesar todas as coisas
atribuir valor a cada inspiração
me afogar de mim mesma
venus progrediu na caminhada celeste
mas a lua visitou minha casa natal
trouxe a balança e a vontade de por ordem
em coisas abstratas
fazes listas inexatas e faxinar jogando fora o guardado
por um oxe com dois e no final
te incluo na lista dos amores inservíveis
por uma sobrancelha arqueada nunca mais me lembro
do dia que esqueci de te amar
ai se eu e o céu fossemos um
eu derramava uma chuva de lagrimas a toa
que to guardando em meus esconderijos da alma
até o astronauta virar mergulhador
ai de mim que um dia senti tanto
e guardei caquinhos de amor quebrado no peito
ai de mim que atrasei esse dia
que o ceu me ajude a derramar tudo fora
eu faço cafe para nós dois
eu e o eu amanheceremos limpos e leves
radiantes como se nada houvera acontecido
e nem houve .....
(ouve minha risada frouxa,nunca houve)
Carol Dias

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