segunda-feira, 29 de junho de 2020

Por um oxente estranho
uma virgula fora do lugar
uma pausa mais longa numa frase
sou capaz de derramar oceanos ancestrais de dentro do meu peito
liberar comportas e mais um copa cheio de lagrimas
hoje é o dia do exagero
da gota d'agua
da licença poética
eu vou esmiuçar os sentimentos tintim por tintim
desbaratar o que sinto
e pesar todas as coisas
atribuir valor a cada inspiração
me afogar de mim mesma
venus progrediu na caminhada celeste
mas a lua visitou minha casa natal
trouxe a balança e a vontade de por ordem
em coisas abstratas
fazes listas inexatas e faxinar jogando fora o guardado
por um oxe com dois e no final
te incluo na lista dos amores inservíveis
por uma sobrancelha arqueada nunca mais me lembro
do dia que esqueci de te amar
ai se eu e o céu fossemos um
eu derramava uma chuva de lagrimas a toa
que to guardando em meus esconderijos da alma
até o astronauta virar mergulhador
ai de mim que um dia senti tanto
e guardei caquinhos de amor quebrado no peito
ai de mim que atrasei esse dia
que o ceu me ajude a derramar tudo fora
eu faço cafe para nós dois
eu e o eu amanheceremos limpos e leves
radiantes como se nada houvera acontecido
e nem houve .....
(ouve minha risada frouxa,nunca houve)


Carol Dias
A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e noite

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