segunda-feira, 29 de junho de 2020

O que me matou Ontem

O que me matou ontem
não me matará amanhã
morro de uma coisa cada vez
mas de amor
morri todos os dias
surpreendentemente
em cada vez o amor me levou numa jornada
numa busca impensada
desenfreada
onde eu me realizava desfazendo e refazendo
o amor me matou todos os dias em que me fez olhar fora da janela
me arrastou pelos cabelos
me fez acordar numa praia deserta
dormir olhando a luz das estrelas
me levou com suas águas
para cima das janelas
acima do firmamento
e dessas vezes todas eu morri sorrindo
mas esse mesmo amor que arrancou minhas asas
também me fez acordar no dia seguinte restituída
desconfiada mas sempre disposta a ouvir o seu chamado
até que descobri que o amor não era o que me tirava de mim
amor era só o que me restituía
que me devolvia a mim mesma
desde então as vozes que me chamam lá fora
que falem sozinhas
que chamem até cansar
desde então me realizo neste amor que dá vida


Carol Dias
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