sexta-feira, 7 de julho de 2017

O banquete da solidão


Penso que a solidão é boa companhia
Vez ou outra traz  possibilidades  de  revisitar me
 Abro a porta dos sentimentos esquecidos
Dos amores perdidos
 Busco a lembrança do amor desfeito
O devaneio  e a ilusão
 A cantiga da nostalgia
 Fecho os olhos , respiro  calmamente
 Não estou só , tenho um alforje de  memórias
Olho no espelho  e percebo meu coração  cheio
Não existe  solidão  quando o coração ritmado
Aceita o amor  a si mesmo e se transborda
Lentamente, por toda a casa
Pelas palavras  doces no papel
Por que  quando a  solidão  vem me buscar
Solícita , imparcial  e fiel
Eu pacientemente  escolho  a rima que me cabe
 Entre o azedume  da frustração   e a esperança  açucarada
 Passeio nas nuances, não sou obrigada  afazer mais nada
Chega mais uma  silenciosa alvorada
Em mim uma imensidão  de sentimentos represados
Aguardando apenas uma gota para desaguar
 A solidão dá lentes do exagero  a todas as coisas
 Morro das cócegas que o amor me faz
 Em rodopios pelo meu corpo
Sorrio desconfiada da minha antítese
Sou  amor , represa  e silencio
 Escolho cuidadosamente as palavras
Sorrindo  do acaso  e do tempo chuvoso
 A minha esperança  transformada
Sabe  onde está ,do meu coração a chave
Talvez o tempo  saiba  de todas as coisas
Talvez não saiba de nada
 Vem a solidão e senta ao meu lado
Segura minha mão e pede colo
Sirvo vinho,  falo  da rotina
Penso que é triste  estar vazio
 Encho minha taça e o meu coração
 Da certeza mais vazia de todas
 A solidão  não deveria ser tão ricamente  vestida e alimentada


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