domingo, 6 de março de 2016

Verdades espartanas



 Desconfie de meus olhos
Quando desviarem dos seus
Quando encarar firmemente o espelho
Quando cortar o véu negro anelado
Ou quando minha risada ecoar sozinha pela casa vazia
Quando  meus braços esquecerem de abraçar  seu sono
 Desconfie  de mim  quando meu sono fugir na madrugada
Quando  eu precisar cavalgar outros  corpos
Estarei de olhos fechados  e sozinha
Em  tempos de paz  eu quis sua mão
Estou novamente  disposta e armada
Caminhando sem olhar para trás
Desconfie dessa solidão voluntaria
Reclusa no meu castelo, venturosa pela minha companhia
Sou silenciosa  e atenta  aos meus passos
 Na mão o instrumento  da lavra
Nos olhos a determinação  dos que já caminharam demasiadamente
O coração que não conhece fadiga, nem temor
As coisas  dentro de mim mudaram outra vez
Eternamente inconstante  eu fluo
Tranquila para dentro do meu universo refúgio
Desconfie da minha liberdade e abnegação
 São tempos de disciplina interior
Pode ser que não regresse
Nem mesmo por amor

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