Desconfie de meus olhos
Quando desviarem dos seus
Quando encarar firmemente o espelho
Quando cortar o véu negro anelado
Ou quando minha risada ecoar sozinha pela casa vazia
Quando meus braços esquecerem de abraçar seu sono
Desconfie de mim quando meu sono fugir na madrugada
Quando eu precisar cavalgar outros corpos
Estarei de olhos fechados e sozinha
Em tempos de paz eu quis sua mão
Estou novamente disposta e armada
Caminhando sem olhar para trás
Desconfie dessa solidão voluntaria
Reclusa no meu castelo, venturosa pela minha companhia
Sou silenciosa e atenta aos meus passos
Na mão o instrumento da lavra
Nos olhos a determinação dos que já caminharam demasiadamente
O coração que não conhece fadiga, nem temor
As coisas dentro de mim mudaram outra vez
Eternamente inconstante eu fluo
Tranquila para dentro do meu universo refúgio
Desconfie da minha liberdade e abnegação
São tempos de disciplina interior
Pode ser que não regresse
Nem mesmo por amor

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