domingo, 15 de junho de 2014

Reflexo régio



Sou uma insistente pescadora 
Observo o oceano de ideias
Enquanto quieta sorrateiramente espio seu movimentar 
Espero com minha imaginaria linha sentada vestida de noite 
Lanço armadilhas, deixo iscas aleatoriamente 

Numa eterna busca de mim mesma
Tudo a minha volta relembra meus efeitos colaterais

Sou uma persistente observadora
Vigio o areal do tempo e seus oásis fraternais
Observo o vento avivando fogueiras na noite
Assoprando descoordenadamente os segundos
Embaralhando minhas fragilidades

Sou uma rainha sem terras
Naufragada em oceanos refratários
Soterrada por conselhos , hormônios e tradições
A Imponente senhora do nada
Nada trago em minhas redes
Nada semeio em minhas terras que não a solidaria solidão
Colherei minhas sementes vazias
No silencio cortante da madrugada fria e cinzenta

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