Quando resolvi sair
de mim
Veio a chuva fraca
nublar meus olhos
Senti meu peito
aberto a uma coragem sem fim
O medo saiu por outra
porta
Dos meus olhos raiava
uma esperança inata
Quando resolvi me
perceber
Vieram promessas de céus
nublados e dias tensos
Olhando tudo envolta
a chuva
Percebo que nada mais
importa
Quero sentir a vida
fluir em meu corpo
Percebendo o peso da
roupa molhada
Desfazer-me do desnecessário
Seguir minha jornada
Quero enfrentar o
vento na rua
Sacudindo minha
despudorada nudez
Encontrar o jorro da
vida
E lançar-me por
inteira em suas águas
Quando todos
apontavam-me louca
Eu dentro de mim buscando
minha essência
Quando viam lagrimas
em meus olhos
Era minha alma se libertando dos grilhões
Quando meu rosto
contorcia
Estava em pleno gozo
de minhas habilidades
Quando peregrinava a
ermo
Desfazia anos históricos
de mutilações do meu ser
Enquanto me depreciavam
Refazia minha
historia de um jeito mais mulher
Enquanto lamentavam
minha morte
Eu vivia de maneira
absurdamente mais feliz

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