domingo, 15 de junho de 2014

A chuva


Quando resolvi sair de mim
Veio a chuva fraca nublar meus olhos
Senti meu peito aberto a uma coragem sem fim
O medo saiu por outra porta
Dos meus olhos raiava uma esperança inata

Quando resolvi me perceber
Vieram promessas de céus nublados e dias tensos
Olhando tudo envolta a chuva
Percebo que nada mais importa
Quero  sentir a vida  fluir em meu corpo
Percebendo o peso da roupa molhada
Desfazer-me do desnecessário
Seguir minha jornada
Quero enfrentar o vento na rua
Sacudindo minha despudorada nudez
Encontrar o jorro da vida
E lançar-me por inteira  em suas águas

Quando todos apontavam-me  louca
Eu dentro  de mim  buscando minha essência
Quando viam lagrimas em meus olhos
Era minha alma  se libertando dos grilhões
Quando meu rosto contorcia
Estava em pleno gozo de minhas habilidades
Quando peregrinava a ermo
Desfazia anos históricos de mutilações do meu ser
Enquanto me depreciavam
Refazia minha historia de um jeito mais mulher
Enquanto lamentavam minha morte
Eu vivia de maneira absurdamente mais feliz 

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