terça-feira, 4 de setembro de 2012

O encontro


 103 vezes  respirado o ar da madrugada
Vou me dissolvendo em carinhosos lençóis
Mergulhando nas profundezas  do meu ser
O frio vem refrescar minha mente em chamas
Meu coração que ardorosamente  deseja
Nem mil fôlegos tomados  a força
Me fazem esquecer
Que tudo em volta fervilha
Meus olhos inquietos captam
Estilhaços de meu coração que saltam  sob meu rosto
É tanta violência se opondo  a minha necessidade de amar
É tanto silencio antevendo minha ânsia de falar
Ocupando as lacunas  com lagrimas  não choradas
Nem que mil vezes roubasse para mim esse ar infecto
Não penetraria  na dura  e grosseira casca
Entre o esquecimento e  a rejeição
Ecoa a voz suave  de uma cantiga antiga
Abra as portas  da sua mente  liberte o oceano que existe em você
Faça de seu coração a cachoeira  de onde vem a água que tudo sacia
Rompem –se as barreiras ,  108 vezes respirados
Não há mais nada , só o silencio que  tudo diz
Para uma alma deliciada  em encontrar a si mesma.

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