103 vezes respirado o ar da madrugada
Vou me dissolvendo em carinhosos lençóis
Mergulhando nas profundezas do meu ser
O frio vem refrescar minha mente em chamas
Meu coração que ardorosamente deseja
Nem mil fôlegos tomados
a força
Me fazem esquecer
Que tudo em volta fervilha
Meus olhos inquietos captam
Estilhaços de meu coração que saltam sob meu rosto
É tanta violência se opondo a minha necessidade de amar
É tanto silencio antevendo minha ânsia de falar
Ocupando as lacunas
com lagrimas não choradas
Nem que mil vezes roubasse para mim esse ar infecto
Não penetraria na
dura e grosseira casca
Entre o esquecimento e
a rejeição
Ecoa a voz suave
de uma cantiga antiga
Abra as portas da
sua mente liberte o oceano que existe em
você
Faça de seu coração a cachoeira de onde vem a água que tudo sacia
Rompem –se as barreiras , 108 vezes respirados
Não há mais nada , só o silencio que tudo diz
Para uma alma deliciada
em encontrar a si mesma.

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