segunda-feira, 29 de junho de 2020


Beber mais uma taça de amargura
Sem deixar de envenenar minha alma
Arderiam meus olhos
Como fogo de um sol que  me consome por dentro
Beber mais uma dose de um veneno
Que não amargura  minha essência
Nem adoça meus lábios
Apesar  de todas as dores ,
Dentro de mim  se fortalece um amor sem medidas
Um encantamento  e uma força  que explodiriam mundos
Embriagar-se de amargura e descrença
Enlouquecer   num desejo de fuga
Surrupiar  chaves e arrombar portas secretas
Para mim chega!
Me basto e nada disso me governa
Sento frente  ao meu maior desconforto
Nego a gratidão que sinto
Enchendo  gulosamente mais uma vez
Uma taça  de palavras insensatas
Ditas com leviandade
Que descem rasgando minha garganta
Entontecem meu espírito
Me fazendo cambalear
No exercício da arte de amar

Carol Dias



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