
Eu sinto o chão sob meus pés
A minha frente apenas um caminho vazio
Uma estrada de papel em branco
Minha historia ainda estou a escrever
Sem muito nexo , vasculho as aquarelas do verão passado
Os pontilhismos e o grafite da parede sem reboco
As vezes quero a cura para a liberdade dentro de mim
As vezes abro as portas para meu caos ganhar a rua
Eu sinto o chão vibrando sob meus pés
Ao som das distorções que a realidade me traz
Eu tenho a minha frente um oceano de possibilidades
Mas escolho sentar na areia úmida
Escrever na areia uma tolice qualquer
As vezes tenho medo de ser-me
E sou a minha expressão que mais temo
Fico indiferente a passagem do tempo
Ao amor que perdi semana passada
A chuva fria e ao vento do fim da tarde
As vezes me doe ser eu mesma , mas sou –me
Quanto aos outros , simplesmente não sei
Todos fazemos nossos caminhos com tanta indiferença
E antes que seja tarde desenho borboletas de saudade
Confio no amor que ainda sinto , o amor das ausências
Retorno ao meu desterro silenciosa e grata
Retorno ao branco do papel e a sua misteriosa condescendência .
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