Vez ou outra traz possibilidades de revisitar me
Abro a porta dos sentimentos esquecidos
Dos amores perdidos
Busco a lembrança do amor desfeito
O devaneio e a ilusão
A cantiga da nostalgia
Fecho os olhos , respiro calmamente
Não estou só , tenho um alforje de memórias
Olho no espelho e percebo meu coração cheio
Não existe solidão quando o coração ritmado
Aceita o amor a si mesmo e se transborda
Lentamente, por toda a casa
Pelas palavras doces no papel
Por que quando a solidão vem me buscar
Solícita , imparcial e fiel
Eu pacientemente escolho a rima que me cabe
Entre o azedume da frustração e a esperança açucarada
Passeio nas nuances, não sou obrigada afazer mais nada
Chega mais uma silenciosa alvorada
Em mim uma imensidão de sentimentos represados
Aguardando apenas uma gota para desaguar
A solidão dá lentes do exagero a todas as coisas
Morro das cócegas que o amor me faz
Em rodopios pelo meu corpo
Sorrio desconfiada da minha antítese
Sou amor , represa e silencio
Escolho cuidadosamente as palavras
Sorrindo do acaso e do tempo chuvoso
A minha esperança transformada
Sabe onde está ,do meu coração a chave
Talvez o tempo saiba de todas as coisas
Talvez não saiba de nada
Vem a solidão e senta ao meu lado
Segura minha mão e pede colo
Sirvo vinho, falo da rotina
Penso que é triste estar vazio
Encho minha taça e o meu coração
Da certeza mais vazia de todas
A solidão não deveria ser tão ricamente vestida e alimentada

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