terça-feira, 15 de outubro de 2013

Cinzas sobre o azul


O céu azul  entrecortado
Riscos de branco, dourado   e escarlate
Mas as cinzas, estas vão por toda parte
Entram por meus olhos ,nariz e boca sufocada
O silencio denso cimentando
Minhas palavras e gestos
O céu azul por sobre as nuvens
Esconde a musa  debruçada na varanda celeste
Frestas  amareladas  e o vento nos cabelos
Ela assiste as fogueiras de outono
Enquanto o vento  trepida a chama
Estremece a fé dos quem amam
Faço um  brinde  com esta taça de sangue
Saudações aos traídos e aos covardes
As labaredas lambem as pernas virginais inocentes
Saudações aos ébrios  espectadores, inúteis
Deixam que as cinzas se espalhem com o vento
Enquanto a mãe chama  suas filhas pelo nome
Abraça cada uma com seu manto entristecido
Chora seu lamento, rainha dos esquecidos
Pela  vergonha da traição 


Pelo sangue  derramado inutilmente em nome de ninguém.

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