Meus olhos e poros todos exalaram
Aquele místico perfume de cheiro ocre
Que vem dos tamarineiros em flor
Amarguei-me em favas e melaço
E quando transbordei-me de mim mesma
Derramada pelo chão transpirando o cheiro das frutas
maduras
Eu era terra, suor , cabelo esparramado ,o gozo e
eu
Aos pedaços de mim e a mim mesma inteira e
meus pedaços
Um dedo de prosa e uma dose de poesia
Fumaça que sai da chaleira
Meu corpo ,um prato de tamarindos cor de fel
Senhora de minhas vontades
Reconheço em teus lábios meu gosto
Provar –me e contestar-me
Na sábia aridez das palavras
Na desconfiança pálida das frias vulvas
Que seguem a rota noturnas nas noites sem lua ou
estrelas

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