Beber mais uma taça de amargura
Sem deixar de envenenar minha alma
Arderiam meus olhos
Como fogo de um sol que me consome por dentro
Beber mais uma dose de um veneno
Que não amargura minha essência
Nem adoça meus lábios
Apesar de todas as dores ,
Dentro de mim se fortalece um amor sem medidas
Um encantamento e uma força que explodiriam mundos
Embriagar-se de amargura e descrença
Enlouquecer num desejo de fuga
Surrupiar chaves e arrombar portas secretas
Para mim chega!
Me basto e nada disso me governa
Sento frente ao meu maior desconforto
Nego a gratidão que sinto
Enchendo gulosamente mais uma vez
Uma taça de palavras insensatas
Ditas com leviandade
Que descem rasgando minha garganta
Entontecem meu espírito
Me fazendo cambalear
No exercicio da arte de amar

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