Tive, no decorrer da
vida
Cicatrizes de lesões fatais , que ardem
como um incessante fogo
Que não cicatrizam e latejam
Poucas , reais e
dolorosas feridas
Que me despertam no meio da noite
Me lembrando que
não só de flores
É feito meu caminho
Vezes me escondo e passo
noites
Acuada tratando minhas dores
Nesses dias de passos débeis a beira da estrada
Temendo aqueles
de faro mais aguçado
Sentado na estrada havia uma caça que desejava predar
E havia um caçador que desejava ser caça
Ambos feridos de
morte
Ambos temerosos de outros predadores olhares
Buscaram um amor que pudesse tirar suas agonias
Como se raízes antigas entranhadas na terra
Quando arrancadas não fossem ainda mais dolorosas
De nada serviu a astucia da raposa
Quando se viu encantada pelo seu algoz ferido
Dentro da mesma loca, dividida entre o medo e a fuga
Ainda ferida
busco a luz do sol como salvação
Pois dos vincos causados pelas dores arrancadas
Abre-se um espaço
ainda maior para a nova semente
De uma nova
consumição .

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