E eu não me recordo quando
Inventei de ter me lavado com essas tintas
Que me condenassem a esperar um displicente mais tarde
O acender de mais um cigarro.. O pedir mais uma dose
Mais uma hora..... Mais uma noite em vão
Pois as tintas do invisível já estavam sobre mim este tempo
E eu sabia que a chuva não traria de volta
Fui esvaziada de sentido.... E restou-me viver sem cor
Quando me tornei invisível
Decidi, escondida ,usar alguma cores ....
E contraventora de todas essas leis sem cheiro e sem sabor
Reinventei meus significados ...
Acreditei no mundo alem da porta da sala
Enchi de uma força sem igual
E me joguei na correnteza
Enxerguei –me gente que não se apaga.... Indelével na vida ...
Gente que não se apaga com vinho
Quando me tornei invisível ardi em chamas
Possui as sombras e os restos
Ocupei lugares onde não cabia
Fazendo coisas que não queria
Foi quando me tornei invisível que pude consultar
Do que eram feitas minhas fibras
Fui criar um mundo paralelo onde meu tempo se elastecia
Perdido na nostalgia matutina ....Na nossa algia ....
Nas dores existenciais que me surgem ao ver o sol nascer e que me consomem
Ao cair da noite ....
Quando a lua traz pra mim seu véu translucido
Acentua as minhas dores ... Ardo
Onde torno-me invisível para você
E me encho de uma infinidade de outras desconhecidas cores ....

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