quinta-feira, 5 de julho de 2012

Quando me tornei invisível



Quando me tornei invisível
E eu não me  recordo quando
Inventei de ter me lavado com  essas tintas 
Que me condenassem  a esperar um displicente mais tarde
O acender de mais um cigarro.. O pedir mais uma dose
Mais uma hora..... Mais uma noite em vão
Pois  as tintas do invisível  já estavam sobre mim  este tempo
E eu sabia  que a chuva não traria de volta
Fui esvaziada de sentido.... E restou-me viver sem cor


Quando me tornei invisível
Decidi, escondida ,usar alguma cores .... 
E contraventora de todas essas leis sem cheiro e sem sabor 
Reinventei meus significados ...
Acreditei no mundo alem da porta da sala
Enchi de uma força sem igual
E me joguei  na correnteza
Enxerguei –me gente  que não se apaga.... Indelével na vida ...
Gente que não se apaga  com  vinho


Quando me tornei invisível ardi em chamas
Possui  as sombras  e os restos 
Ocupei lugares onde não cabia 
Fazendo coisas que não queria 
Foi quando me tornei invisível que pude consultar 
Do que eram  feitas minhas fibras 
Fui criar um mundo paralelo onde meu tempo se elastecia 
Perdido na nostalgia matutina ....Na nossa algia ....
Nas dores existenciais  que me surgem ao ver o sol nascer  e que me consomem 
Ao cair da noite ....
Quando a lua traz pra mim seu véu translucido
Acentua  as minhas dores ... Ardo 
Onde torno-me invisível para você 
E me encho de uma infinidade de outras desconhecidas cores ....

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